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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

memórias literárias - 587 - O QUE LÊS?

O QUE LÊS?

587

E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês? (At 8:30)

Em 2010, quando viajava entre Itália e Inglaterra, tomei um vôo regional. Após instalar-me na poltrona, contemplei os passageiros. Com raras exceções vi quase todos com um livro em mãos, lendo em silêncio. Numa sociedade altamente tecnológica, com o advento dos e-books e celulares, contemplar um público leitor foi um consolo.

É preciso que se analise duas questões quanto a leitura. A primeira: você lê? Sim, uma pergunta que os institutos de pesquisa fazem constantemente. Quantos livros o brasileiro lê por ano? Em 2016 a média de livros lida pela população foi de 4,96 livros (sendo que a maioria por exigência escolar). Porém, para tristeza dos escritores, 44% das pessoas não lê e 30% delas nunca comprou um livro.  Muitos lêem um pedaço, o final, a introdução, quase nada. Você, que lê o meu texto, já é um herói nesta tragédia nacional; digo-lhe que, dos textos que envio, a grande maioria não lê nada! Tenho o hábito da leitura desde a primeira série do primário. Não termino o ano feliz se não consegui ler 50 livros. Conheço leitores que chegaram a 200 livros no período, mesmo sendo trabalhadores e estudantes.

A segunda questão é: o que você lê? O brasileiro lê, principalmente, sobre futebol. Então, seguindo na mesma média, notícias de celebridades. Romances seguem logo atrás e depois, por último, os livros realmente importantes. Conquanto tenhamos ano após ano batido recordes de produção de bíblias, os cristãos raramente leram a Bíblia uma vez inteira e geralmente só lêem algum texto de Salmos ou do Evangelho. Com o advento do famigerado datashow, igrejas não exigem mais que os seus membros portem exemplares da bíblia em papel; tudo é eletrônico, por celular. O hábito da leitura bíblica tornou-se raridade. Quanta diferença dos meus mestres! O Irmão Sebastião Emerich leu-a 353 vezes na vida. O Pr. Timofei Diacov mais de 120 vezes. O Pr. Josué Nunes de Lima conhecia textos com uma profundidade incrível. Não tive o ano em que tenha superado 6 leituras bíblicas inteiras, infelizmente (ainda!)

É preciso ler mais! É preciso parar com essa bobagem de e-books que desaparecem quando o tablet ou celular avariam, de ter apenas livros virtuais. Livro tem que ter cheiro, peso, espessura, cor, volume. Livro é companhia, é amigo, é um mundo de conhecimentos. O Apóstolo Paulo, que não contava com livros em nosso formato atual, pediu com insistência: Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos. (2Tm 4:13). Pergaminho era um couro de caprino ou ovino que servia como papel e durava muito. Seu nome vem da cidade de Pérgamo, onde a técnica foi desenvolvida. Eram os livros. Havia também os papiros, os rolos, as tabuinhas. Hoje temos as revistas, os livros, os audiobooks, tantas possibilidades! É necessário ler e ler bem! A irmã Esmeralda, membro de nossa igreja, chamada à leitura pública, lia com extrema dificuldade há dois anos. Hoje, contudo, dá gosto de ouvi-la: ela, através das leituras públicas, aperfeiçoou-se e passou a ler bem!

Mas é preciso escolher as leituras. Não basta tomar uma revista de banalidades, de vida de celebridades, de piadas, de terror, de romance ou de vâs filosofias e colocar-se a ler, ler, ler. Más leituras corrompem mentes famintas. Coloque-se um livro de racismo, de terrorismo, de pornografia ou de satanismo nas mãos de pessoas frágeis e teremos a construção de um ser doentio. Também não basta ler os best-sellers, a literatura barata de livraria de aeroportos, dos gurus da famigerada auto-ajuda, que escrevem o óbvio com ares de descobridores da roda. Se auto-ajuda funcionasse eles não lançariam mais novidades; uma só teria resolvido o problema da existência humana!  Leituras devem ser substanciosas, acrescentadoras, viagens de descobrimento. Papai deixou para mim um livro, adquirido na década de 50; um único exemplar da coleção "TRÓPICO", da antiga Maltese. Procurei os demais exemplares e encontrei-os. Uma riqueza! A cada duas páginas a enciclopédia apresenta um tema diferente, abordando-o desde a origem, descrição, até a utilização e importância. Temas diversos: a invenção do guarda-chuva, a guerra de Tróia, o descobrimento da penicilina, a Lei de Talião. Lerei com os meus filhos, se Deus permitir, quando eles crescerem!

Mas, acima de tudo, porém, esteja a nossa leitura contínua, reverente e em oração, das páginas da Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus. Jesus diz: Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam; (Jo 5:39); Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. (Jo 17:17). Paulo diz a Timóteo, sobre a Bíblia: Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá. (1Tm 4:13). E Deus diz a Josué: Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido. (Js 1:8). Quem medita na Bíblia é transformado de glória em glória, estampando na face o brilho da glória de Deus. E não somos como Moisés, que punha um véu sobre a sua face, para que os filhos de Israel não olhassem firmemente para o fim daquilo que era transitório. (2Co 3:13). Nós exibimos no rosto os efeitos da Bíblia em nossa vida. Aleluia!

Termino este texto perguntando: quantos livros você leu neste ano? Que tipo de literatura lhe alimentou nestes meses? E a Bíblia, leu-a como deveria?

Que Deus ajude a cada um a tornar-se um leitor ávido e produtivo, detentor de cultura e conhecimento, e que se torne um poço de virtudes e de sabedoria, jamais se esquecendo do Livro dos livros, a Escritura Sagrada. Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra. (Sl 119:9)

Wagner Antonio de Araújo


15/12/2017

memórias literárias - 586 - MENDIGAR O PÃO - SÉRIE: CONSOLO NOS SALMOS No. 34

MENDIGAR
O PÃO


Série:
CONSOLO NOS SALMOS
No. 34

586

Olá! Aqui é o Pr. Wagner Antonio de Araújo. Gostaria de abordar um texto dos salmos, muito expressivo e que afirma categoricamente uma verdade: o crente não mendiga o pão. Está no Salmo 37.25: “Fui moço, e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão”. 

Estaria este texto em contradição com o que o Apóstolo Paulo falava sobre o seu ministério? Ele disse: Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. (2Co 11:27) 


A resposta é NÃO. É importante que entendamos uma questão: há duas alianças na Bíblia: uma feita entre Deus e Israel, baseada em obediência e em sacrifícios, visando a formação de uma nação sacerdotal. A outra aliança é aquela que foi feita no sangue de Jesus Cristo, através do Seu sacrifício, substituindo a anterior que, por desobediência judaica, foi rompida. A primeira aliança visava uma terra prometida temporal, localizada na Palestina; a segunda aliança fala de uma Nova Jerusalém numa Nova Canaã celestial. A primeira estava baseada em bens materiais e prosperidade pessoal como evidência da bênção divina; a segunda fala de recompensas nos céus e de não se ajuntar tesouros aqui neste mundo. Na Velha Aliança as recompensas eram temporárias e terrenas; na Nova Aliança a salvação é a dádiva e a duração é eterna. Por isso dizemos: Davi viveu numa aliança diferente da nossa. A aplicação da prosperidade pura e simples não funciona para quem vai para o céu. Paulo disse: Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. (1Tm 6:8) E Jesus afirmou: E, levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus. (Lc 6:20)


Diante disto perguntamos: tem este texto relevância para nós? Sim, e como! Um crente não mendiga porque sempre procura trabalhar com as próprias mãos e ganhar o seu pão. Se o trabalho fica escasso então os crentes, com o amor do Senhor, repartem o que têm e ajudam este pobre necessitado a caminhar a etapa difícil que está vivendo. E se for idoso ou com necessidades especiais a igreja o auxilia, o ajuda e o socorre, pois é o amor do povo de Deus expresso através de atos de compaixão e de solidariedade. Costumo afirmar que ninguém é solitário na igreja. Alguém que não tenha família encontra no meio do povo de Deus muitos pais, mães, irmãos, irmãs, conselheiros, professores e filhos. Oh, como é bom servir ao Senhor! O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus. (Fp 4:19)



Que Deus nos abençoe imensamente. Amém.



Wagner Antonio de Araújo

mensagem especialmente preparada para a EBAR - Escola Bíblica do Ar, à convite da irmã Ana Maria Suman Gomes). 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

memórias literárias - 585 - LÂMPADA PARA OS PÉS - SÉRIE: CONSOLO NOS SALMOS No. 33

LÂMPADA
PARA OS PÉS



Série:
CONSOLO NOS SALMOS
No. 33
585
Olá! Aqui é o Pr. Wagner Antonio de Araújo. Continuamos a nossa viagem pelo livro dos Salmos. Há um versículo muito popular entre nós, os crentes. É o que se encontra no Salmo 119.105: “Lâmpada para os meus pés é a Tua palavra, e luz para o meu caminho”.

Em minha infância e começo da adolescência eu passava quase dois meses na Meia Légua, em Cambuí, Minas Gerais. Papai tinha uma casa ali. Contudo não havia energia elétrica. Usávamos um lampião a gás e lamparinas de querosene distribuídas pelos cômodos. Duas ou três vezes por semana íamos à casa de vovô e nas casas de meus tios. Eram casas distantes, meio quilômetro ou mais, de cada uma. Quando havia luar era fácil: a estrada de terra era facilmente vista. Mas em dias sem lua tudo era escuro e não seria possível caminhar sem uma iluminação. Então papai acendia um farolete bem forte e seguia na frente, apontando-nos o caminho certo. Víamos onde estavam as poças de lama, onde havia buracos e desviávamos deles. A luz era necessária.



O autor do texto nos diz que a lâmpada que ilumina os nossos passos na estrada da vida é a Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus. Ele afirma que ela é a luz para o caminho. Oh, como a Bíblia é preciosa e importante! Como dói o coração em saber que gerações inteiras foram privadas do privilégio de ler a bíblia em sua própria língua, privados por causa do poder religioso que na época imperava. Graças a Deus temos hoje a liberdade de comprar exemplares da Bíblia na tradução que melhor nos agradar! A Bíblia é uma preciosidade! Nela encontramos a direção para a nossa vida, a orientação para as nossas escolhas, a apresentação da vontade de Deus para o nosso coração. Ela é o farol para o nauta, a bússola para o viajor, o combustível que acende a lamparina e a eletricidade que faz clarear o painel. Jesus Cristo, em Sua oração sacerdotal, afirmou: “Santifica-os na verdade; a Tua palavra é a verdade” (João 17.17). Foi com a Escritura Sagrada que Ele venceu Satanás no monte da tentação.



Tem o ouvinte clareado os seus caminhos com a orientação bíblica? Saiba que há coisas que independem de oração. Há pessoas que esperam Deus as orientar sobre algo, quando nas páginas das Escrituras Sagradas a orientação já está registrada! Nenhum sermão, profecia ou qualquer manifestação religiosa pode ser mais importante do que a orientação da Bíblia.



Leia-a. Conheça-a. E experimente uma vida sem trevas, um caminho claro e seguro, iluminado pela sólida orientação de Deus, expressa em Sua Palavra, na Bíblia Sagrada.



Que Deus nos abençoe. Amém.



Wagner Antonio de Araújo

mensagem especialmente preparada para a EBAR - Escola Bíblica do Ar, à convite da irmã Ana Maria Suman Gomes). 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

memórias literárias - 584 - DESCOMPOSTURA

DESCOMPOSTURA
 

 
584
 
O presidente do Senado Federal, que deveria ser exemplo de honestidade, respeito e compostura acaba de pronunciar-se contra alguns movimentos ali acontecidos. O que disse? Uma expressão chula, indigna do cargo que ocupa. Isto tem sido típico em todas as esferas onde as pessoas atuam. O povo não têm mais pejo e nem elegância; os palavrões e a linguagem de baixo calão tomaram conta de tudo. Atualmente os vídeos mais procurados são os dos bastidores de jornalistas, humoristas e - pasmem - dos pastores, que xingam até não encontrar mais vocabulário baixo em suas mentes.
 
O palavrão é um fenômeno universal. Mas a sua banalização e imposição é fruto da mídia. Começou com músicas que sutilmente inseriam pequenas palavras feias. Cresceu nos cinemas, com diálogos pra lá de coloquiais. Desenvolveu-se e, com o fim da censura federal, entrou para as novelas e programas de auditório. Os dubladores receberam ordem de interpretar os atores com a rudeza das expressões que chegavam nos filmes. E então, com o advento da internet, o whatsapp, o facebook, a língua do esgoto tornou-se a língua de todos. Satanás aplaude efusivamente!
 
Não há mais compostura. Vários pastores, padres, músicos e professores cristãos falam palavrão. Na casa de muitos cristãos a linguagem tornou-se obcena e maligna. Termos horrendos até poucos anos passaram a ser interjeições, substantivos, adjetivos e uma série de outras coisas. Mantém um certo respeito nos momentos públicos, mas vivem como ímpios no privado. Conheci um segurança pessoal, que trabalhava para um suposto apóstolo e para a sua família. Gente de sucesso, com TV e rádio, era um desastre em casa. O tipo de linguagem que era usada aos gritos naquele lar não poderia ser descrita nem em privado...
 
"Ah, mas isso é a evolução da língua." Evolução? Só se for de ser humano para um verme. Não, senhores! Isto tudo se chama DESCOMPOSTURA de uma sociedade hedonista, malcriada, que não tem respeito pelo próximo e nem um coração culto e construtivo. O que mais se vende, se assiste, se ouve e se divulga é o que não presta. E não há mais surpresa, espanto. Tornamo-nos insensíveis para a descompostura. Não faz muito tempo um pastor-deputado assembleiano xingou a esposa no rádio, quando esta não satisfez ao seu desejo de falar o que ele queria. Um pastor, ao classificar os pecadores, mandou-os "para aquele lugar", esquecendo-se de quem era ou de que ocupava o púlpito do Senhor!
 
Como anda o seu whatsapp, o seu messenger, o seu facebook? A pessoa a quem você mais considera e que é digna do seu maior respeito poderá ver os seus escritos e bater palmas de alegria? Ou você sentirá vergonha? Se pudesse corrigiria algumas expressões? Pois saiba que esta pessoa mais importante vê tudo o que você faz, fala, escreve, canta ou pensa. Ele é Deus. Ele é Jesus. Ele é o Espírito Santo. E se entristece com tamanha agudeza de estilo. E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção. (Ef 4:30)
 
Linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós. (Tt 2:8)
 
Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem. (Ef 4:29)
 
Está na hora de limparmos a boca e purificarmos a língua. O mundo está perdido e busca exceções. Que as sejamos!  Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. (Mt 5:16)
 
Wagner Antonio de Araújo

13/12/2017

memórias literárias - 583 - SUICÍDIO VIRA MODA

SUICÍDIO
VIRA MODA
 

 
583
 
Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem! (Mt 18:7)
 
Acabei de postar o artigo de ontem, intitulado "Não Gosto de Natal" e um pastor retornou-me, dizendo que mais um pastor havia se suicidado. Enforcara-se em sua residência.
 
Virou moda lermos notícias sobre pastores que dão cabo de suas vidas. Um dá um tiro na cabeça; outro enforca-se na cinta ou na gravata; ainda outro toma veneno. E amanhecemos perplexos com estes comportamentos tão extremos.
 
Seria bom atentarmos para este texto: As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; (Jo 10:27) O Senhor afirma que a voz dele é ouvida pelas suas ovelhas. Estas, ao ouvi-la, seguem-nO. E há outro que diz: Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. (Jo 10:5) As ovelhas de Jesus não seguirão o estranho, nem tampouco o seguirão. E por que? Porque não é a voz de Seu pastor. E quem é o estranho? Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele.  (Jo 8:44). Satanás é o homicida. E qual é o seu intento? Matar. O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir. (Jo 10:10)
 
No entanto, com a proliferação de pastores que se suicidam, uma nova teologia se avoluma nos artigos: a teologia do suicídio, do consolo aos parentes de suicida, das bases bíblicas que amenizam o ato de tirar a própria vida.
 
Ouso dizer sem sombra de dúvidas: crentes não se suicidam. Crentes dão a vida por Jesus ou por outrem. Há inúmeros testemunhos de irmãos que doaram-se para salvar o próximo, que dedicaram os seus dias ao Senhor, mesmo sabendo que morreriam. Crentes lutam por suas pátrias e por estas também morrem, tornando-se heróis. Crentes doam a vida pelos seus filhos, entregando, se necessário, os rins, fígado, coração, tudo, para poder salvar os seus pequeninos. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. (Jo 15:13)
 
Mas TIRAR A PRÓPRIA VIDA por razões psicológicas, porque cansou de viver, porque estava aborrecido, porque tinha dívidas, porque não era capaz de encontrar consolo ou razão para prosseguir, pensando unicamente em si, em uma solução maluca para a sua própria crise? Bem, não importa se quem faz isso é crente ou pastor. Importa que a Bíblia, Palavra de Deus, não muda. A pessoa suicida não ouviu a voz de Jesus, mas de Satanás. E atendeu ao seu reclamo. E tomou uma decisão que concretiza um amor próprio maior do que o amor por Jesus, pelo próximo ou pela Pátria.
 
Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. (Lc 14:26) O texto, aplicado aqui é: quem amar a si mesmo mais do que a Jesus e à Sua Palavra, "não pode ser meu discípulo". Não pode. E pronto!
 
Sinto muito.
 
Fiz-me acaso vosso inimigo, dizendo a verdade? (Gl 4:16)
 
Wagner Antonio de Araújo

13/12/2017

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

memórias literárias - 582 - NÃO GOSTO DE NATAL

NÃO GOSTO
DE
NATAL
 

 
 
 
582
 
Fui a uma fábrica de enfeites de Natal, para comprar alguns para a minha casa. Após escolher diversos não consegui unanimidade entre o meu gosto e o de minha  esposa, que estava à distância. Então resolvemos não comprar. A moça que me atendia, sócia da família proprietária, disse-me: "Ainda bem que eu nem gosto de Natal".
 
Não gosta de Natal mas vive de enfeites de Natal. Não é incoerente? Além disto, nem funcionária é; é parte da sociedade!
 
Fazer algo e não crer naquilo é um absurdo. Um sofrimento pessoal para quem pratica, uma falácia pública que gera a mentira e a hipocrisia. O nosso mundo está repleto disso!
 
Temos pizzaiolos que detestam pizzas; donos de canais de TV que não assistem a televisão; atores que não gostam de arte e pastores que não crêem em Deus.
 
Ah, quanto a isto, há um mundo de variações.
 
Um cantor gospel tem uma canção que manda os pregadores de rosas anunciarem também os seus espinhos. Há dois meses ele foi flagrado com mulheres e bebida alcoólica, além de denunciado por familiares como alguém que não tem responsabilidade familiar.
 
Um pastor que fazia palestras em encontros de casais sofreu um divórcio litigioso, após ter sido descoberto em flagrante adultério. Um outro, apóstolo, divorciou-se, casou-se com outra mulher e o seu próprio filho a roubou, causando um escândalo de proporções avassaladoras.
 
Lembro-me de um ex-pastor que, ao ser solicitado para orar, informou: "eu não sou dado a muita oração não; o meu negócio é trabalho".
 
Que tempos tristes! Políticos que servem sete anos no congresso nacional, não fazem um único discurso e saem a xingar a casa. Sem defender os atuais deputados (que, com raras exceções, não valem nada!), é muito cômodo embolsar o salário de sete anos, com a multidão de benefícios e dizer-se incapaz de exercer a vida pública. Algum valor teria se devolvesse cada centavo gasto com pessoa tão incompetente.
 
Eu também me avalio. Sou um crente no Senhor Jesus Cristo. Fui chamado pelo Senhor para o ministério pastoral. Dediquei a vida toda a este afã. Será que eu realmente creio no que prego? Será que eu realmente vivo a mensagem que anuncio? Sou fiel a ela?
 
Eu não sou perfeito. Eu tenho inúmeros pecadilhos, confessados dia após dia, conforme I João 2.1-2, buscando a cada dia maior dedicação a Deus. Porém, tenho orado sempre para que eu jamais seja motivo de escândalo a quem quer que seja. Se a minha vida não inspirar ou não edificar, que ela não mais exista. Podemos ser pequeninos, mas não podemos ser incoerentes. Se crermos no Senhor apenas nas horas de felicidade, que fé seria essa? Se não suportamos a provação, a dificuldade, a enfermidade, as más notícias, que rocha é essa que nos sustenta? Uma fé anunciada a plenos pulmões nos púlpitos, mas que não é capaz de confortar nas horas amargas? Assim falai, e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade. (Tg 2:12)
 
Eu creio em Deus. Eu creio em Sua presença. Eu creio em Sua soberania. Eu creio no que prego. Eu não canto qualquer coisa, eu canto para o Senhor e aquilo que a minha fé determina (e a minha fé está no que a Bíblia ensina). Mesmo que uma canção esteja em moda isto não significa que ela seja bíblica. Eu não quero trair-me, negando os princípios e valores que me nortearam em Cristo até o dia de hoje. Uma palavra mal colocada pode perverter a fé de alguém que seja fraco. Por isso a cada dia peço o mesmo que o salmista: Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. (Sl 139:23)
 
Aquela moça da fábrica de enfeites de Natal nunca mais terá a mim como cliente. Ela usa o Natal para ganhar dinheiro, mas não crê no que faz. Ela não merece a minha confiança. Isto serviu de lição para mim. Há pessoas que lêem o que escrevo, que assistem as minhas pregações que são filmadas ou ouvem as mensagens que prego no rádio. Não quero jamais ser incoerente naquilo que faço, naquilo que creio ou naquilo que prego. E temos, portanto, o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei; nós cremos também, por isso também falamos. (2Co 4:13).
 
Sonde-se também e busque a integridade em sua fé e prática. Porque a fé sem obras é morta, e o cristianismo sem prática é nulo.
 

Pr. Wagner Antonio de Araújo

memórias literárias - 581 - A DERROTA DO MEU INIMIGO - SÉRIE: CONSOLO NOS SALMOS No. 32

A DERROTA
DO MEU
INIMIGO

 
Série:
CONSOLO NOS SALMOS
No. 32


581
 
Olá! Aqui é o Pr. Wagner Antonio de Araújo. Chamarei a meditação de hoje de “A Derrota do Meu Inimigo”. O texto está no Salmo 41.11: Com isto conheço que tu te agradas de mim: em não triunfar contra mim o meu inimigo”.
 
Quando Davi escreveu isso grandes eram os seus inimigos. No início até o Rei Saul, que o convidara para ser um dos que moravam no castelo imperial, perseguia-o sem tréguas, obrigando-o a fugir o tempo todo. Posteriormente como rei teve problemas com as outras tribos de Israel, reinando em Judá por sete anos, até que conseguisse formar sólida liderança sobre todo o país. Depois, por causa de seus próprios erros acabou por arrumar mais aborrecimentos: a espada não se afastou de seu próprio lar. Certa vez teve que fugir de Jerusalém, ameaçado de morte pelo próprio filho. Quantas lutas!

Contudo, Davi reconhecia que um dos sinais do agrado de Deus para com ele era que o inimigo não triunfasse contra a sua vida. Quais seriam os inimigos que Deus poderia vencer em nossas vidas? Nós, que não somos nem da realeza e nem do tempo de Davi?

O inimigo exterior, Satanás. Ele é quem nos odeia. O seu propósito é lançar à nossa frente todo tipo de tropeço, tentação, impedimento, armadilha. O Apóstolo Paulo diz o seguinte quanto a esta luta: Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. (Ef 6:12). É uma luta diária, constante, espiritual. Nós podemos superar o inimigo e vencê-lo no poder de Deus: Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. (Tg 4:7)
O outro é interior. É chamado de carne, a nossa velha natureza, a nossa tendência constante a fazer o que é mal, o que desagrada a Deus. Não há nenhum de nós isento deste terrível mal: Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; (Rm 3:23). Contra esse horrendo inimigo nós temos a arma: o sangue de Jesus Cristo, o Seu sacrifício na cruz do Calvário. Satanás não pode dominar a vida de um autêntico servo do Senhor. Somos libertos pelo Seu amor e vitoriosos. Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. (1Jo 5:4) 

O ouvinte quer ter certeza do agrado de Deus para com a sua vida? Submeta-se ao Senhor e Ele vencerá o Diabo, que está do lado de fora, e a carne, que está do lado de dentro. E seremos grandemente felizes. Que Deus nos abençoe. Amém.
 

Wagner Antonio de Araújo
mensagem especialmente preparada para a EBAR - Escola Bíblica do Ar, à convite da irmã Ana Maria Suman Gomes). 

domingo, 10 de dezembro de 2017

memórias literárias - 580 - O MEU CONSULTOR FINANCEIRO

O MEU
CONSULTOR
FINANCEIRO
 

 
580
 
"Pastor, o que o senhor acha do livro tal, sobre administração financeira?" "O que o senhor acha daquele outro consultor, que dá dicas muito boas para organização do orçamento?" "E o outro que manda fazer amizade com o dinheiro?"
 
A minha resposta:
 
O meu manual de consultoria financeira é a Bíblia Sagrada. Nela eu encontro os verdadeiros valores e princípios norteadores da prosperidade dos salvos. Certamente que os consultores seculares podem saber muito de finanças e de mercado, mas não gerem os seus valores sobre o sustentáculo da verdadeira sabedoria e da fidelidade ao Senhor. Como somos salvos, os nossos conceitos são os de Deus. E nos conceitos divinos Deus vem primeiro.
 
Na Bíblia o conceito de "meu" é relativo. Nada é meu; tudo é de Deus. O que é meu é o pecado e a ingratidão. Se algo de bom eu tenho, devo isto a Deus. Porque Deus faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. (Mt 5:45)
 
Alguns princípios norteiam a vida financeira de quem teme a Deus. Quero citar alguns.
 
1) Primeiro eu devo dar a Deus o que é de Deus. Devo fazê-lo com fidelidade, com amor e segundo a minha possibilidade. Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. (Mt 6:33). Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. (2Co 9:7); Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes. (Ml 3:10).
 
2) Daquilo que fica comigo eu devo zelar com cuidado, não gastando à toa e não fazendo dívidas. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? (Is 55:2); A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. (Rm 13:8).
 
3) Não devo tornar-me fiador de outrem, pois, do contrário, estarei amarrado a um poste em chamas. Poderei perder tudo. Não estejas entre os que se comprometem, e entre os que ficam por fiadores de dívidas, (Pv 22:26); O homem falto de entendimento compromete-se, ficando por fiador na presença do seu amigo. (Pv 17:18)
 
4) Devo ser responsável e previdente, armazenando coisas essenciais para horas de necessidade. Tesouro desejável e azeite há na casa do sábio, mas o homem insensato os esgota. (Pv 21:20); Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? (Lc 14:28)
 
5) Devo ganhar o meu pão com o meu suor, honradamente, trabalhando com amor, como ao Senhor. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás. (Gn 3:19); Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade. (Ef 4:28)
 
6) Devo ser generoso, jamais negar-me ao auxílio, repartir o que tenho com responsabilidade e com generosidade. Ao Senhor empresta o que se compadece do pobre, ele lhe pagará o seu benefício. (Pv 19:17). E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. (Mt 25:40)
 
7) Devo dedicar os meus bens à Causa de Deus, à pregação do evangelho, aos cuidados para com os honrados missionários no campo. Cheio estou, depois que recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro de suavidade e sacrifício agradável e aprazível a Deus. (Fp 4:18); Como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente. (2Co 8:2-3)
 
8) Devo progredir na área em que milito, buscando a cada dia uma colocação melhor, uma possibilidade de melhor servir e melhor remuneração. Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo. (1Co 15:10);Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim. Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens. (Mt 24:46-47)
 
9) Se pai, devo prover cuidados para com a esposa e deixar os meus filhos assistidos, dentro da minha realidade social. O homem de bem deixa uma herança aos filhos de seus filhos, mas a riqueza do pecador é depositada para o justo. (Pv 13:22)
 
Há muito mais a ser dito, mas para mim isso basta.
 
Tal consultoria financeira não gera bilionários; gera crentes controlados pelo Espírito Santo, frutíferos para Deus e úteis aos seus irmãos em Cristo e às suas famílias. Ademais, o Senhor Jesus Cristo orientou-nos, diferentemente da velha aliança judaica, a não juntarmos tesouros aqui, mas nos céus. Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. (Mt 6:20)
 
Para terminar. Houve um homem que tornou-se o meu exemplo de prosperidade financeira.
 
Ele era analfabeto. Converteu-se aos dezessete anos, quando trabalhava num alambique. Casou-se. Aprendeu a ler na Bíblia. Veio para São Paulo. Foi trabalhar num almoxarifado de empresa. Ganhava pouco. Com o pouco que ganhava entregava mensalmente o seu dízimo, contribuía para missões, sustentava esposa e cinco filhas. Comprou a casa onde morava. Nunca faltou o pão sobre a sua mesa e era hospitaleiro. Ao final do mês chegava a emprestar do seu pequenino salário ao chefe. Aposentou-se. Viveu até os noventa e quatro anos sem dever nada para ninguém. Encaminhou as filhas a uma vida decente e cristã. E dormiu no Senhor. Seu nome: SEBASTIÃO EMERICH. Não tinha nada, mas teve tudo. E está com Jesus.
 
Este é o meu exemplo. O resto, as literaturas ufanistas seculares ou evangélicas, eu as dispenso. Não se vive de palha quando se pode ter a espiga cheia!
 
 
Wagner Antonio de Araújo

11/12/2017

sábado, 9 de dezembro de 2017

memórias literárias - 579 - DEUS É GENEROSO - SÉRIE: CONSOLO NOS SALMOS No. 31

DEUS É
GENEROSO

 

 
Série:
CONSOLO NOS SALMOS
No. 31
 
 

579
 
Olá! Aqui é o Pr. Wagner Antonio de Araújo. Um dia o salmista declarou: “Volta, minha alma, ao teu sossego, pois o Senhor tem sido generoso para comigo” Salmos 116.7
Certo dia um jovem irmão foi procurar-me no gabinete pastoral. Estava aflito, entristecido. Perdera uma boa oportunidade de trabalho e não conseguira graduar-se em seus estudos. Sentia-se a pior das criaturas. Para piorar a situação a sua namorada trocara-o por outro rapaz. “Pastor, eu não presto para nada! Eu não tenho nada! Eu sou um infeliz! Como posso me sentir bem diante de tanta pobreza?”

Abri a gaveta de minha escrivaninha. Mostrei-lhe a fotografia de um lindo garotinho de quatro anos. Ele encantou-se. Eu lhe contei: “Esse menino viu o pai matar a sua mãe. Em seguida o pai o atirou num despenhadeiro. Foi encontrado por moradores do local, todo machucado. Depois de muitos abrigos foi matriculado num orfanato e tudo o que tem hoje é um guarda-roupa coletivo e uma cama usada, doada com defeitos. Sabe o que ele diz? Liguei o celular e mostrei-lhe um vídeo. O menino, de mãozinhas postas, agradecia a Deus: “Papai do céu, obrigado por ser tão generoso comigo. Em nome de Jesus. Amém”.

Perguntei-lhe: “Filho, você chora porque não conseguiu o emprego e não teve notas suficientes para passar de ano; chora também porque a menina lhe abandonou. Mas pense: você tem cama; você tem pais. Você tem casa e tem comida na mesa. Esse menino que lhe mostrei, que mora no orfanato, não tem um pai ou uma mãe para lhe abraçar numa noite fria de inverno, ou numa tempestade de verão. Ele não tem quem lhe diga de coração: eu te amo. Ele teria motivos para reclamar da vida e do destino; mas ele é grato pela generosidade de Deus. Que tal começar a sê-lo também?”

Ah, queridos ouvintes, como há sofrimentos neste mundo! Quando a angústia toma conta de nosso coração nós nos esquecemos do quanto somos abençoados! Seria bom fazer um inventário de todas as coisas que temos, de todas as dádivas da saúde que recebemos e do quanto somos ingratos. Deus é mais do que generoso conosco e não podemos nos esquecer disto.

Que tal sossegarmos a nossa alma e dizermos a ela: “alma, pare de sofrer! Você é muito abençoada com a generosidade de Deus! Sossegue o seu coração, pois Deus tem sido generoso para com você!” Está na hora de reconhecermos tudo o que Deus tem feito para conosco e sermos gratos!
 
A gratidão cura a angústia.

Que Deus nos abençoe! Amém!
 

Wagner Antonio de Araújo
mensagem especialmente preparada para a EBAR - Escola Bíblica do Ar, à convite da irmã Ana Maria Suman Gomes). 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

QUEM TEM PODER, DEUS OU A ORAÇÃO?

QUEM  TEM
PODER,
DEUS OU
A ORAÇÃO?
 

 
578
 
Diga-me cá: quem detém o poder, Deus ou a oração?
 
Há quem diga que é a oração. "A oração é o que move o coração de Deus". Há uma grande teologia tecida sobre o assunto. "Mais oração, mais poder; menos oração; menos poder; nenhuma oração, nenhum poder". Há assuntos que são apresentados não para uma pessoa apenas, mas para uma corrente de oração, um agrupamento gigantesco de gente orando por um determinado motivo. Segundo se sente, se houver muita gente solidária, muitos clamores, talvez consigamos obter aquilo que apresentamos a Deus. Isto é, talvez o número de pessoas clamando mude alguma decisão divina. Logo, o poder está no processo, na oração, na nossa atitude diante do problema.
 
Há quem diga que o poder pertence a Deus, independente da oração. Não é o homem que move a mão de Deus, mas a misericórdia do Senhor. A Sua piedade, a Sua soberania, a Sua decisão, são a única causa para que os acontecimentos se realizem. Pode o homem ficar roxo de tanto clamar, pode cadastrar um milhão de pessoas para pedir por alguma coisa; se Deus determinar algo diferente, de nada adiantará. Talvez isso soe como fatalismo, mas a verdade é que o poder vem de Deus, não da oração do homem.
 
Como conciliar tudo isso? Como compreender a importância da oração e, ao mesmo tempo, que o poder não vem dela, mas de Deus? Como confrontar as atuais práticas generalizadas no meio das igrejas, que fazem quarenta dias de oração, levantamento de clamores, ajuntamento de milhares de pessoas em correntes intermináveis de pedidos?
 
Não vou debater a matéria, mas expor as conclusões a que cheguei.
 
01) Todo o poder vem de Deus - Eu não tenho nem poder e nem autoridade para mudar uma situação, para exigir um milagre ou direcionar alguma bênção. Deus é detentor de todo o poder. Deus falou uma vez; duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus. (Sl 62:11)
 
02) Deus é soberano sobre toda e qualquer situação e Sua vontade não pode ser frustrada. Muitos propósitos há no coração do homem, porém o conselho do Senhor permanecerá. (Pv 19:21)
 
03) Deus nos ensinou a orar para Ele, a pedir para Ele, e decidiu aceitar os pedidos que lhe convencerem e que satisfizerem aos Seus propósitos. E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra. (2Cr 7:14); E ele lhes disse: Quando orardes, dizei: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra, como no céu. (Lc 11:2)
 
04) Nem todo pedido que apresentamos ao Senhor recebe uma resposta positiva. O motivo principal é a soberania divina. Ele tem os seus motivos. Até Jesus experimentou um "não", ao orar ao Pai. E, indo segunda vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade. (Mt 26:42)
 
05) Jesus nos ensinou a orar e a não desistir da prática ou do motivo, exceto quando soubermos, como Ele no Getsêmani (no exemplo que dei acima) de que a vontade do Pai é antagônica ao nosso pedido. E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer, (Lc 18:1)
 
06) A oração deve ser dirigida ao Pai, em nome de Jesus, no poder do Espírito Santo.  E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. (Jo 14:13); Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente. (Mt 6:6); Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, (Jd 1:20)
 
07) Deus aceita uma oração pública feita segundo a Sua vontade, mas também a oração privada, feita em secreto. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. (Tg 5:16); E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus. (At 4:31)
 
08) Não importa quantas pessoas orem por uma questão, nem a sua posição de serviço no Reino de Deus (ministro, leigo, evangelista). Se Deus desejar atender, Ele o fará, mesmo que em resposta ao mais humilde servo. Vai, e dize a Ezequias: Assim diz o Senhor, o Deus de Davi teu pai: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eis que acrescentarei aos teus dias quinze anos. (Is 38:5); Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito. (Sl 34:18)
 
09) Pedir oração aos irmãos na fé foi prática apostólica, lícita, útil e importante; deve ser continuada. Irmãos, orai por nós. (1Ts 5:25); Orai por nós, porque confiamos que temos boa consciência, como aqueles que em tudo querem portar-se honestamente. (Hb 13:18)
 
10) Devemos ser gratos a Deus pela resposta, seja ela qual for, independente do número de pessoas que oraram. O poder veio de Deus, não da oração. As orações expressaram confiança, submissão, fé e esperança; agora será a vez de agradecer. Se possível, antecipadamente. Por isso vos digo que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis. (Mc 11:24)
 
Tenho experimentado a graça de Deus e o poder de Deus em minha vida, em meu ministério pastoral e nas orações particulares e públicas.
 
Em minha vida experimento o poder de Deus diuturnamente. Ele me salvou, me perdoou, me transformou. Curou-me de problemas cardíacos letais, deu-me um casamento e dois filhos. E atualmente cuida de mim, suprindo-me de cada necessidade.
 
Em meu ministério vejo a mão do Senhor a cada instante. Sou pastor da mais pequenina igreja batista da região. Contudo, sem ter nada, tenho tudo. Deus concedeu-nos um bom terreno, uma boa capela, uma boa laje, um bom estacionamento, está nos dando a cozinha e ainda tenho esperança de terminar o salão social. O povo está comigo há mais de vinte anos e em comunhão com o Senhor. Ele me dá a graça de pregar, de cantar, de tocar, de ensinar e de irradiar programas. E tenho leitores qualificados como os que me lêem agora!
 
Nas orações públicas Deus tem sido misericordioso. Muitos pedidos têm sido divulgados e grandes respostas têm sido detectadas. Algumas com um gostoso "sim" divino, como no caso do Pr. Ediel Carvalho da Silva, cuja vista, quase perdida, está em processo de restauração.
 
Nas orações privadas Deus tem sido generoso. Ao pé da porta da casa do saudoso irmão Sebastião Emerich a minha esposa pediu para que ele intercedesse por nós, para que tivéssemos filhos. Ele orou e disse: "Fique tranquila; o Senhor já providenciou". Josué Elias e Rute Cristina são exemplos claros dessa vitória. Um homem só, em privado, a clamar. O poder vem de Deus, não do processo. Mas um processo que envolve gente que tem compromisso sério com o Senhor.
 
Os "nãos" estão presentes também. São tantos! Causam dor, causam reflexão e às vezes tenho que acalmar a minh'alma, dizendo-lhe: "espera em Deus". São os "nãos" amorosos do Senhor; às vezes para me manter humilde; às vezes para aguardar um melhor momento; às vezes sem uma razão compreensível para mim, mas importante para Deus. Respondeu Jesus, e disse-lhe: O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois. (Jo 13:7)
 
Conclusão: o poder vem de Deus; a oração é apenas o processo. Mas Deus deu aos homens a quem chama o privilégio da audiência com Ele, e a oportunidade de orar e clamar. Neste "espaço de manobra" da liberdade limitada , dada por Deus, recebemos um sim. Outras, um não. E ainda outras, um espere. Independentemente da resposta, a vitória é certa. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece. (Fp 4:13)
 
Espero que estas conclusões sejam úteis a alguém.
 
Que Deus nos abençoe.
 
Pr. Wagner Antonio de Araújo
07/12/2017

 

memórias literárias - 577 - CLAMOR OUVIDO - SÉRIE: CONSOLO NOS SALMOS No. 30

 

CLAMOR
OUVIDO

 

Série:
CONSOLO NOS SALMOS
No. 30

577
 
Olá! Aqui é o Pr. Wagner Antonio de Araújo. Como todos sabem, as nossas meditações têm sido estruturadas nos ricos consolos divinos, encontrados no livro dos Salmos. Estes eram os cânticos dos filhos de Israel e continuam a ser o cântico da alma de todos os crentes, em todos os tempos. Focalizaremos a nossa atenção na frase que está no Salmo 120.1: “Na minha angústia clamo ao Senhor, e ele me ouve”.
Eu estava no aeroporto, aguardando a chegada de minha esposa. De repente, na saída internacional, uma mulher em pranto, desesperada, revê os filhos e chora, chora copiosamente. Pelo que entendi viera para o sepultamento de alguém que lhe era muito caro. Estava angustiada, sua alma estava ferida. Ela chorou e nós também.

Quantas angústias atravessam a nossa existência! A angústia por um amor que termina, por um casamento que se destrói, por um amigo que parte, por um emprego que se perde, por um curso onde não se obtém a aprovação, por um bem roubado. Quantos pais choram as más decisões de seus filhos! Tanto lutaram, tanto se esforçaram e agora estão ali, num velório coletivo, onde o filho foi morto numa chacina, onde os culpados jamais serão condenados! Aquela esposa, fiel e solidária, tanto ajudou o esposo em sua carreira, em seus estudos, e agora é trocada sem dó e nem piedade por uma colega dele, uma moça nova, sem escrúpulos e sem compaixão!

O autor do salmo não diz que não tinha angústia. Pelo contrário, diz que as angústias lhe eram comuns. Há quem pregue que o crente não tem problemas e não chora. Mentira! O crente geme e chora. Porém, com uma diferença. Ele é ouvido por Deus. Isto significa que Deus está atento e sabe até onde esse sofrimento pode durar. Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. (1Co 10:13) Cristo também sabe o que é angústia. O seu grito na cruz prova isso: E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mt 27:46)
A nossa certeza é de que nenhuma angústia que passamos será eterna ou comparável ao prazer da vida no céu. Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. (Rm 8:18) Assim, temos certeza de que Deus está atento à nossa angústia: nos livrará delas no fim das provações e, no porvir, nos dará a vida eterna e santo contentamento. Aleluia!

Que Deus nos abençoe! Amém.
 

 
Wagner Antonio de Araújo
mensagem especialmente preparada para a EBAR - Escola Bíblica do Ar, à convite da irmã Ana Maria Suman Gomes).